Feita a análise das palavras que compõem o título deste artigo, passaremos agora ao estudo do tema propriamente dito.

Black Week - Holding Familiar

Segundo dados constantes de artigo publicado no site do SEBRAE-SC (http://www.sebrae-sc.com.br/newart/default.asp?materia=1041O), o Brasil possui de 6 a 8 milhões de empresas, sendo que 90% delas são empresas familiares. Ainda esse mesmo artigo esclarece que referidas empresas têm uma importante participação no PIB brasileiro, ou seja, 12% do segmento agrobusiness, 34% da indústria e 54% dos serviços. E, portanto, evidente a importância das empresas familiares no cenário econômico, social e político do País.

Consoante definição formulada por Lodi (São Paulo 1988), empresa familiar é:

Aquela em que a consideração da sucessão da diretoria está ligada ao fator hereditário e onde os valores institucionais da firma identificam-se com um sobrenome de família ou com afigura do fundador.

O conceito de empresa familiar nasce geralmente com a segunda geração de dirigentes, ou porque o fundador pretende abrir caminho para eles entre seus antigos colaboradores, ou porque os futuros sucessores precisam criar uma ideologia que justifique a sua ascensão ao poder.

A empresa familiar inicia-se, assim, a partir do empreendedorismo de seu fundador que, possuidor de uma ideia, parte em busca da realização de sua aspiração pessoal. A história da empresa é, em geral, fruto da experiência de vida de seu próprio fundador, de suas origens e de seus talentos pessoais.

Especialistas na matéria apontam inúmeras vantagens das empresas familiares, entre as quais poderíamos citar: o conhecimento do negócio, a rapidez e flexibilidade das decisões, a continuidade da administração, a reputação do nome da família, o sacrifício financeiro e pessoal de seus sócios etc.

Em contrapartida, as empresas familiares se deparam com vários obstáculos que são inerentes à natureza peculiar de sua criação e que acabam por prejudicar sobremaneira a condução do negócio, tais como a gestão centralizadora, a disputa e favoritismo entre herdeiros, o uso inadequado dos recursos da empresa, a falta de profissionalismo na contratação dos funcionários e parentes etc.

Esclarece Lodi que:

O sonho do fundador, a sua visão e valores nem sempre conseguem ser estendidos além daquele indivíduo. A empresa familiar é feita de sonhos e amor. A visão está no coração do negócio familiar. Chegando ao seu crepúsculo, o fundador tem dificuldade de transmitir os seus valores e comprometimentos para a geração seguinte.

Mais adiante complementa:

Este é o início da morte das empresas de família: os valores estão obscuros, as lealdades divididas e a motivação é baseada em dinheiro. O plano de sucessão do negócio familiar depende do tipo de comprometimento das pessoas e da capacidade de transmiti-lo.

Pesquisas realizadas por diversos institutos estimam que a sobrevivência das empresas familiares, além da geração de seu fundador, ê muito pequena. Segundo dados divulgados no referido artigo publicado no site do SEBRAE-SC, de cada 100 empresas familiares, somente 30% passam para a segunda geração e apenas 5% para a terceira. Reafirma-se, assim, a razão da existência de nosso célebre ditado popular: “pai rico, filho nobre, neto pobre”. Aliás, vale ressaltar que referido dito encontra seu correspondente em diversas outras culturas. A título de mera curiosidade, na Itália encontramos “dalle stalle alle stdle alle stalle” (dos estábulos, às estrelas, aos estábulos …) e no México, “padre bodeguero, hijo millonario, nieto pordiosero”(pai comerciante, filho milionário e neto mendigo…).

Diversos fatores são decisivos para a sobrevivência das empresas familiares. A forma de condução da empresa pelo seu fundador, os conflitos familiares, a estratégia de atuação e outros já acima citados influem inevitavelmente no seu sucesso ou fracasso.

Em meio a todos esses fatores, o processo sucessório da empresa familiar merece atenção especial nesse nosso singelo estudo.

A realização da sucessão familiar de forma objetiva e tranquila é um passo fundamental para o êxito empresarial, devendo ser iniciada pelo seu próprio fundador, preparando, dessa forma, seus sucessores para assumirem o seu lugar e para suplantarem, durante o processo, os problemas estruturais que acompanham a empresa desde a sua criação.

Lodi, autor já citado anteriormente, ao tratar do processo sucessório nas empresas familiares, afirma:

A sucessão é determinada a longo prazo pela maneira como os pais constituíram e educaram a família, preparando-a para o poder e a riqueza. Durante uma geração, a súbita propulsão da família modesta para a família rica, se não foi acompanhada de um “‘etos” familiar favorável, abala a moral de trabalho, o sentido de missão da empresa e a própria atitude dos jovens.

(…)

Fonte: COELHO, Fábio Ulhoa – Empresa Familiar – Estudos Jurídicos. (Newton de Lucca)

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